sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Acordei de manhã sem alma. Procurei-a em casa, procurei-a na escola, procurei-a no carro, procurei-a em todo o lado, só para me lembrar que ta tinha emprestado.

Manuel Santos

A Palavra Amigo



A Palavra Amigo

Fui ao dicionário, e encontrei umas poucas definições tolas. Em busca de algum significado procurei no fundo da alma, e lá estavam uns poucos e curtos nomes de algumas grandes histórias.

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Encurtei ainda mais no tamanho e espero que gostem :) .
Bernardo Viana Maya Vicente

A decisão

Foi no presente que o passado se refugiou. Fugi.

Mijó

Interior...

O seu poder é incomparável.
Observo, olho, analiso. Tento arranjar algum significado, descodificar o maravilhoso mistério que se encontra escondido. Tento, não consigo.
São tão grandes os sentimentos que nele penetram e tão variados os momentos que querendo ou não observa. São tão vividas as emoções, tão estrondosos os seus efeitos. Mais uma vez tento, não consigo.
Um estado de espírito, uma mentira, uma verdade podem ser evidenciadas. Um sorriso, uma lágrima, um grito, disfarçados. Quero ajudar, preciso de ajudar. Uma outra vez tento, não consigo.
Um brilho reflectido corresponde a mil pensamentos. Um alongar de forma, desejos secretamente revelados. Uma imagem, algo que se ama.
Fecho os olhos. Agora penso, descubro, ilumino.
Tento e sim,
Consigo.

Catarina Leitão

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Crescer... (actualizada)

Micro narrativa actualizada (espero que gostem) ^^



- Mãe...Cresci... – pronunciou isto com ar de quem estava arrependida de crescer e queria voltar atrás para repetir tudo outra vez.

Mariana


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Aqui está a antiga "micro narrativa" para se quiserem ler ^^


Crescer...

Não queria crescer. As coisas complicavam-se muito facilmente quando as começava entender.

Queria ficar assim, ausentavam-se problemas, ausentavam-se complicações que a atormentavam, – Pensamos de mais – tentava arranjar soluções para os enigmas da vida.

Reflectiu sobre isto após ter experimentado uma camisola que por sinal lhe estava pequena, logo de seguida disse:

- Mãe...Cresci... – pronunciou isto com ar de quem estava arrependida de crescer e que queria voltar atrás e repetir tudo outra vez. Com isto ficou a pensar, porque é que mesmo assim somos infelizes adquirindo tudo aquilo que alguns não têm nem por sombras... Logo de seguida um pensamento súbito lhe emergiu na cabeça: ”Pensamos demais.”

Sentiu um enorme afecto e ternura que lhe percorreu o corpo, tendo assim, vontade de chorar:

- Eu sei... – respondeu a mãe com uma porção imensa de emoção e sentimentos. Ficaram a pensar durante momentos, olharam-se fixamente nos olhos, e logo percebi, ambas queriam ver o mundo de outra forma.


Mariana






Escolher tudo

Quero mais, sinto-me preparada, mas os meus joelhos tremeriam sob o peso da responsabilidade. Quero menos, sinto-me esgotada, mas cansar-me-ia o tédio, entraria em decomposição. Oiço um caminho... e cheiro uma estrada. Passo pé-ante-pé por uma rua sombria... e danço exuberantemente num largo onde bata o sol. Sussurro docemente ao ouvido de um amigo e canto a plenos pulmões para um cúmplice. Quero que só tu saibas... Quero que todo o mundo conheça.

Marta Fatela

Confusa

bem aqui vai o meu primeiro texto! eu não tenho muito jeito para escrever, mas olhem foi o que saiu :D


Confusa
Deitei-me, fechei os olhos e fiquei a espera que o sono me invadisse. Nada. Aquela pergunta martelava na minha mente, ininterruptamente. Liquei a luz atabalhoadamente e dei por mim com um papel e lápis na mão. Os traços começaram a surgir fluidamente. O entusiasmo apoderou-se de mim de modo assustador. As imagens começaram a compor-se, distorcidas, arrebatadoras, sem sentido algum. O que era aquilo? Tristeza? Felicidade? Confusão. Parei e voltei à mesma pergunta: Quem sou eu?

Catarina Garcias Soares
"... Já não há cowboys, tenho de dizer, infelizmente, apenas bons da fita com ar deprimente. Porque tanta saúde simplesmente não pode ser saudável, há-de fazer mal à cabeça, é uma verdade inegável. Para mais dá que desconfiar e um gajo mete-se a pensar: não dá para acreditar onde é que viemos parar. Abaixo os novos heróis, tenho saudade dos cowboys, com um sotaque manhoso, e um bronzeado de mil sóis..."
Pacman, Da Weasel

Para ti

Aqui vai bomba! (citação da minha irmã, não tenho nada a ver com isso). Mesmo assim, espero que gostem!

Para ti

Para ti, ou melhor por ti, junto morosamente rabiscos sem qualquer significado aparente, chamam-se letras dizem-me eles, mas eu não tenho tanta certeza… porque para eles uma palavra é pura e simplesmente uma ideia, um conceito, algo tão frio, irrelevante e frívolo quanto eles próprios.
Para mim, uma palavra é um reflexo de ti, uma parte da tua essência, uma parte do teu sorriso, do teu cheiro, do teu olhar concentrado, da maneira como afastas o cabelo da cara, dos teus gestos, da maneira como mordes os lábios quando estas nervosa, insegura. É por isso que eu necessito tanto de palavras, que as absorvo e guardo dentro do meu ser, porque se eu entender as palavras que te compõem, então te entenderei.
Mas por mais palavras que encontre, que descubra e que perceba, elas não chegam para te descrever, porque quando comparadas contigo tornam-se incompletas, miseráveis, desprovidas de sentido. É por isso que sofro, por não conseguir entender-te.
Joana Vicente

Viagem ao Paraíso sem Deuses

Finalmente, consegui por a minha terceira ideia no "papel". Está a um tamanho mais reduzido, mas tem tantas ideias como os outros dois textos que eu escrevi
Interpretem como quiserem, talvez até interpretem melhor que eu. Em breve vêm mais duas micronarrativas.

Cumprimentos,
Bernardo Viana Maya Vicente

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Viagem ao Paraíso sem Deuses

Fechado na sua pequena caixa, acanhado a miseráveis coisas, lá está ele naquele beco sem saída. Vive naquele sítio onde o pouco sol é dormidor, mas ainda assim tenta iluminar aqueles que da pior maneira se querem tornar estupefactos com o seu redor. Pobre zote, aprisionou-se no seu próprio destino por vontade própria, conseguiu o que queria, um Paraíso sem Deuses, com a beleza da eternidade escura.

O mundo e o Mundo...

Sento-me.
O vento acaricia a minha cara ferida por gente amada. O oceano compõe uma melodia de calma, que contrasta com o ruído de casa. A Lua e as estrelas iluminam a sombra, causada pela passagem daqueles que me ensinam. Sinto que esta planta, espezinhada e massacrada, por mim e por tantos outros, deseja a minha felicidade mais do que me é possível compreender...
Esta companhia, que não fala nem grita, consegue comunicar comigo melhor do que toda a minha espécie junta... e isso não me admira.
Todo o mundo me percebe, embora ninguém no mundo o consiga fazer.
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Primeira micro-narrativa aqui! Estive a comparar com as outras, e talvez não seja assim tão "micro", mas parece-me um começo. E, se for muito grande, posso meter um traço por cima de metade do texto até caber no livro.

=D
-João Serra

Saudade

Cheiguei a casa. Estava uma carta para mim em cima da mesa. Veio-me à memória o que ele me disse antes do último adeus. Uma enorme quantidade de lembranças invadiram-me o pensamento. Ganhei coragem e rasguei o envelope. Depressa os sinais de saudade me escorreram pelo rosto. Onde estarás?

Margarida Coutinho
Como podem ver, o meu texto ainda nao tem título, nao me lembrei de nenhum...
O papel onde ele nasceu estava no meu bolso, amachucado, peguei e comecei a escrever, resultado: desastre após desastre! e aqui está o resulatado dos meus desastres, que a partir de um patinho (muito) feio, transformaram-se nalgo mais formoso!
have fun!!

João Menino

Do nada aparece… Ilumina caminhos, esmaga preconceitos e, cheio do seu oposto, acorda as pessoas para o amanhecer da loucura! Lentamente, desvanece-se, na luz da escuridão e cala-se… com um murmúrio ensurdecedor! Morreu? Não, ele ainda vive, persiste, luta interminavelmente debatendo-se no mais profundo íntimo, esperando o momento crucial para o seu majestoso regresso, quando menos esperamos, quando menos queremos, ele está lá… E no nada desaparece…

João Menino

Olhar

Era triste...Era frio...Era um corpo vazio que vagueava pelo mundo. Não sentia nem fazia sentir...Até te ver.
Quando trocamos olhares, num segundo demasiado pequeno, tal como Sol aquece a noite e a transforma em dia, aqueceste o meu coração só com o teu olhar. Mas como todos os sóis desapareceste no horizonte deixando o meu sangue gelar, ficando triste e frio...vagueando apenas com a esperança de te ver outra vez.

Manuel Santos

A cegueira

Não eram as lágrimas caídas do céu que molhavam o seu rosto, mas as do sofrimento.
A dor intensificava o desespero, permanecia e cada vez mais apaixonada. Lembrava e relembrava os poucos momentos de alegria, queria que toda aquela agonia desaparecesse, mas tal, só piorava. Apercebia-se cada vez mais da estupidez e da ilusão com que vivera até então, ao pensar que "tudo dura para sempre"...
Não foram palavras, não foram olhares, nem acções, mas o silêncio que se precipitou às palavras "Adoro-te" e "Desculpa".
Mijó
Desta vez escrevi uma micro-narrativa pequena :P
Espero que gostem!


Sinto-me Feliz

Vejo o mar. A sua cor e cheiro ofuscam as minhas tristezas, o seu som suave e tranquilo tocam no mais profundo do meu ser.
O seu toque gelado é um arrepiar de emoções e cada gota que desliza é uma recordação de pequenos momentos de felicidade. Um sorriso floresce na minha face. Não tento esconder, sou quem sou e sinto-me feliz.
Quero sentir-me assim para sempre.


Soraia

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Isto não é uma micro-narrativa!

PORTUGAL OLÉ, 
PORTUGAL OLÉ,
PORTUGAL OLÉ...

* Desculpem, não sei o que me deu...

Carlos Lopes

Porque escrever?

Escrever não é apenas esboçar rabiscos numa folha, não é apenas fazer com que as letras sejam bonitas, que as palavras estejam bem escritas e que as frases façam sentido. Escrever é expressar sentimentos, é percebê-los e senti-los de uma forma diferente. Há quem chore, há quem sorria, há quem corra, há quem se feche consigo próprio, e há quem escreva. Escrever é para alguns uma simples tarefa de obrigatoriedade, mas é para outros uma forma de estar na vida.

Henrique VS
Tudo o que escrevi anteriormente é sobre um suposto eu poético, mas este não tem a ver comigo. Apenas me apeteceu escrever sobre este tema...

Catarina Leitão

Um reflexo...

Um reflexo. Observo uma imagem à minha frente, uma imagem que não entendo, não reconheço. Analiso uma expressão vazia disfarçada num plano brilhante. Um brilho contraditório à realidade, um lábio num formato descaracterístico... As mãos, estas parecem-me na posição errada, tentando transpor um gesto que nada tem a ver com o que é. Muito sublime, está a característica ruga no meio da testa, as sombras acizentadas por cima do rosado das bochechas. Tento ao pouco descodificar mas... é difícil, angustiante. A figura encontra-se tão escondida e fechada no seu manto. Um refúgio transparente, negro, pesado.
Arrasto-me um pouco para o lado e tento arrancar o que observei, mas a memória não o permite...
Como me transformei em algo assim? Quem sou eu?

Catarina Leitão

Pseudo-Deus

Desta feita, tentarei arrancar à minha cabeça duas micro narrativas. Como sempre, interpretem-nas como quiserem.
Tiago Correia.


Pseudo-Deus


Fixa o seu olhar no azul. Sem esforço, alcança-o. É normal, tendo em conta que é a sua casa. Contempla as figuras que se agitam até ao horizonte. Talvez pensem que alguém se preocupa.
Pois ele tudo vê. Tudo sabe.
Há quem viva do amor. Ele alimenta-se do ódio. Do escárnio. De saber que será superior. Não supera dificuldades, apenas se dá ao trabalho de criá-las.
Mesmo assim, é amado por tantos...
O que é a solidão no meio da multidão? O que é a tristeza no meio da alegria? Será a vida? A inexperiência? Um sentimento profundo que habita à superfície? De que serve rir num mundo sem graça? De que serve descontrair num mundo medonho? De que serve saber que a solidão, a multidão, a tristeza e a alegria enriquecem a vida? De que serve saber que viver é o oposto de morrer? De que serve saber que morrer significa infelicidade? De que serve saber que infelicidade é o oposto de felicidade?
Quanto a vocês não sei, mas para mim, tudo isto nos faz feliz.
E ser feliz é saber viver...

Umbelino, José
No meia da cidade, as luzes brilham, mas o escuro prevalece. A vida continua, mas a morte parece gritar mais alto. Um sorriso esboçado, abafado pelo choro e tristeza, tenta sobressair na noite escura, mas brilhante. A alegria sai de casa, mas é atropelada pela infelicidade. A tristeza ganha. Após os festejos, o Sol espreita.
Começa um novo dia...

Umbelino, José

Ponto de situação!!!

Isto não é uma micro-narrativa! É um ponto de situação. Até ao momento, em praticamente todos os textos, há questões colocadas, do tipo "quem sou eu?", "porquê a mim?", "será que...?" e outras interrogações do género. O que vos proponho é que a partir de agora eliminem esse tipo de expressões. Vão ver que os textos tornar-se-ão mais "adultos". Outra coisa: tentem não fazer dos vossos textos, momentos de escrita muito "cerebrais". Optem pela simplicidade de processos, pela utilização de palavras banais... Os ingleses têm uma expressão muito curiosa (e pejorativa) para as manifestações artísticas que são ostensivamente pretensiosas. Dizem que são clever-clever. Tentem que as vossas não sejam assim, ok? O mais difícil é fazer simples. E continuem a escrever...

Carlos Lopes

Vácuo

Ideias....enchem o vácuo que é uma mente suplantada pela inactividade, pelos pensamentos banais e pela falta de inspiração.
Pensamentos abençoados por mentes torturadas pela sua falta, que rezam por uma inspiração...uma ideia.
Todos as queremos, mas nem todos as temos... Num mundo em que as têm se sentem iluminados e aqueles que não as têm sentem-se amaldiçados num esforço desumano para as ter.

Manuel Santos

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sentidos

Acordou diferente. A expectativa da mudança, da novidade. Saiu para a rua com os sentidos apurados, viu novas cores, ouviu sons curiosos, sentiu cheiros mais doces, experimentou texturas.

De um momento para o outro ficou escuro, deixou de sentir. "Não quero voltar ao que fui!". Tropeçou e caiu. Sem amparar a queda com as mãos. E assim ficou, estatelado, uma hora, um mês, um ano? Até que decidiu. "Não vou voltar ao que fui!"

Mas e a força? O sorriso? A cor? O som? O cheiro? A textura?

Ergueu o queixo. Desesperado, procurou. Então descobriu um olhar. “Anda, levanta-te.” “Não saio deste fosso tão depressa. É demasiado fundo.” “Não vês que é só um buraco na estrada? Anda. Levanta-te.”

Tocou-lhe na mão. Sentiu-a! Quente, algo áspera, tremia de esforço. Olhou de novo e viu cor naqueles olhos. Dourados, esverdeados. Magnéticos. Já não conseguia não ver.

Inspirou. Cheirou-lhe a lágrimas. Tocou-lhe na cara, no rasto húmido e quente de uma amizade pura.

“Não chores!” “Conseguiste.” “Não me largues!” “Nunca… Não me esqueças.” “Nunca.”

Marta Fatela

Nota

Será uma conclusão, ou simplesmente um novo começo?

Conclusão

Uma conclusão a uma linha de pensamento, exprimida em forma de micro-narrativa.
Tiago Correia.

Conclusão

O tormento linear dos dias inconsistentes chegou ao fim. A visão turva de um clarão em aproximação deixa os ignorantes sem liderança, despojados do seu falso sentido de segurança.
Que entidade nos salvará da perdição? Que ser mitológico ascenderá das profundezas do esquecimento para pôr fim a esta tortura celestial? Está tudo traçado, só nos resta esperar.

Palavras Insignificantes

O modo como juntas as palavras, como as conjugas com gestos e expressões...
Poderias dizer as maiores parvoices do mundo que continuaria a adorar.
Aqueles teus momentos em que não dizes coisa com coisa...vais enunciando palavras que não têm qualquer relação lógica.... São os que mais gosto. Não preciso de tomar atenção ao que queres dizer e deixo-me envolver pelo teu discurso....
Palavras insignificantes, compreensão desnecessária...um prazer constante.
Delicio-me...Adoro.

Pedro Fialho

Percebes?

Porquê? Porque é que foste embora sem dizer adeus? Sem ouvir um último “Amo-te”? Choro, mas não mais ao teu ombro. Quero voltar atrás, dar mais um abraço, mais um passeio pela praia de areia molhada onde me levavas quando tinha uma pequena idade. Quero ter mais silêncios que só tu e eu conseguíamos perceber. Ouvir mais histórias de princesas e afins inventadas no momento, para me fazer sorrir um pouco. Choro com mais força. Sinto-me egoísta por me ter esquecido de ti, por não te ter dado o devido valor, por te subestimar. Como eu quero voltar a ver esse teu sorriso luminoso que me contagiava, tu que tornavas o mais simples, especial. Não, não te perdoo por teres ido. Odeio-te! Amo-te…

Rita A.
Bem aqui vai a minha tentativa, espero que gostem :)


Amizade

Nunca pensei que a dor e a saudade de perder um amigo fosse tão profunda e dolorosa. É como sentir que me vou perder, ficando solitária num Mundo gigante.
Pensar que nunca mais verei aquela cara alegre e o sorriso acolhedor que nos encaminha para mais um dia positivo, entristece-me a alma. E por vezes vejo a sua face perto de mim e ao mesmo tempo longe, não podendo abraçá-lo e dizer-lhe o quão falta eu sinto dele.
Quem me fará rir quando a melhor coisa que posso fazer é chorar? Quem me apoiará se eu cair?
Perder uma amizade é um passo difícil de dar.

Soraia
Aqui estou eu outra vez, com mais DUAS micro narrativas! Uma delas foi inspirada nos comentários que o stor me faz sempre "olha a pontuação...", "tá com erros ortográficos" e neste texto vou mostrar a minha teimosia :D
No segundo texto... bem... façam vocês a vossa interpretação!!

João Menino

Gramaticalmente (in)correcto

Eu simplesmente adoro escrever livremente, pôr letras Maiúsculas no Meio das Frases e minúsculas no início, pôr pontos e vírgulas em excesso, ou não as pôr de todo e também começar frases por "e" e "mas"... é uma sensação de liberdade!!! tb gosto de fzr abrviaturas, cm letrs a menos e, já agora, gosto de fazer aqueles smiles engraçados com sinais de pontuação ^^, acho que dá ênfase ao texto xP
Tenho uma escrita singular, às vezes parece-me óptima, outras vezes uma porcaria, mas acho que a escrita me caracteriza, tal como há pessoas que escrevem milhentos verbos separados por vírgulas.

Tou a pensar criar um tipo de escrita só minhas…sei que parece egocêntrico, mas o que acham? xD
João Menino
Tocar e não sentir, um vazio cheio de esperança, aquilo que eu esperei toda a minha vida chegou, ou não…
Impossível definir, como duas mil facadas que não doem, um toque excitantemente ardente… não, não posso olhar, não posso cair na tentação, não posso… mas faço-o, porque o desejo carnal é instintivo, os valores desmoronam-se e aquele poder toma conta do meu corpo frágil e ridículo de ser humano.
Sons profundos, apodera-se o ambiente forte e possuidor, o rufar interior dos corpos fundidos no momento. Nasceu o fruto da proibição não proferida.
Acabou, olho mais uma vez e tinha desaparecido, tão rápido como o sonho, excedeu as expectativas…
Errei, mais uma vez desiludi-me e mais uma agulha penetrou na minha consciência, um momento marcante, único, raro…
João Menino
Primeira tentativa de micro-narrativa. Espero que gostem...
Cati

Algo inatingível...

Uma lágrima desliza majestosa e poderosamente no seu rumo. Segue num caminho repleto de certezas, de sonhos e com horizontes traçados. Tento acompanhar o seu caminho mas algo me impede...
Uma força talvez surreal faz-me estremecer e prender onde me encontro. Uma voz desconhecida irradia um som que me quebra o raciocínio, o meu desejo. Tento avançar, lutar, mas apenas consigo que uma onda de impotência me trespasse a alma. Porquê? Porque não me consigo libertar do sentimento? Porque não me consigo afastar? Porque não consigo suster a força e magnitude desta pequena lágrima, que agora segue brilhantemente no seu caminho? Porquê?
Não sei. Simplesmente desejo, sonho, idealizo. A lágrima atingiu o seu fim. Consigo sentir o seu sabor salgado no meu lábio.


Catarina Leitão

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Perguntar?


Para quê perguntar quando sabemos a resposta? Respostas que não queremos ouvir pronunciadas, mas que mesmo assim, existem. São essas respostas que nos torturam, magoam e doem. Anseio fazer a pergunta à qual já sei a resposta, esperançosamente aguardando uma resposta contrária ao seu puro significado. Sabendo a resposta, mas não a querendo entender, esperando que seja diferente.

Será esta resposta a Realidade?

Mariana

Realidade Imaginada

Aqui está a minha primeira tentativa. Sinceramente não sei se mereçe estar junto dos outros textos já publicados, que me assustaram inicialmente.
Espero que gostem.

Pedro Fialho

Realidade Imaginada

Inicialmente apenas a sua beleza era visível.

Com o passar do tempo, do conhecimento e do sonho, esta enriquecia-se...pequenos adereços colavam-se e agarravam-se a esta imagem que dava passos em direcção à perfeição a todos os instantes... o tempo apenas lhe trazia uma crescente melhoria.

Aproximava-se da perfeição, estava apenas a escassos milímetros de a atingir... nesse mesmo instante penso...reflicto racionalmente pela primeira vez sem a influência da sua presença psicológica em mim.

Seria este ser mais do que uma pessoa normal? Alguém acima do vulgar indivíduo?

Percebi que não... era apenas uma ilusão.

Uma vulgaridade profundamente escondida.

Compreendo então que esta superioridade se encontrava em mim, na minha imaginação, na minha recriação daqueles momentos que se embelezavam com o passar do tempo.

Era uma outra pessoa...criada por mim.

E se seria melhor se fosse esta a que existisse? Nunca descobrirei.

Pedro Fialho

Escrevi o texto na primeira pessoa, mas quero confirmar aqui que nada tem a ver com a minha pessoa. Espero que gostem e que me ajudem a melhorar, porque eu sei que o texto nao está nada de mais comparando com os textos lindos do Bernardo (:

Rita A.

Medo

O destino é-me traiçoeiro. Sofri, sofro e sei que sofrerei. No meu quarto, apenas com a minha solidão, abro a gaveta mais uma vez. A pistola continua lá carregada com seis balas destinadas apenas à minha pessoa. Muitos me dizem que medo é coragem, fazendo de mim um cobarde. Só eu compreendo o que realmente é o medo. O medo é uma prisão torturante que nos absorve, matando-nos por dentro, pela qual ,para sair, é preciso haver a morte por fora. Quero desistir, acabar com esta coisa medíocre e mesquinha chamada vida, agora!

Mas as minhas dúvidas macabras e paranóicas travam-me aqui… Será a vida uma fase de aprendizagem permanente para a morte?

Rita A.

Equilíbrio

E se a balança que mantém o equilíbrio quase perfeito se desnivela? Afinal onde fica o balanço entre o bem e o mal? O amor e o ódio? O justo e o injusto? E se em vez de todo o Mundo ser feito e vivido de meios equilíbrios pesar apenas um lado da balança? Haveria algum significado em viver? Em lutar?
Perguntas que intrigam, em que as respostas são inacessíveis.
Ana

Véu

Ao contrário da minha tentativa anterior, esta micro narrativa não foi "fabricada" a ouvir jazz. Continuando no estilo da anterior, evito contar histórias. Cada leitor conta a sua.
Tiago Correia.



Véu

É frustrante. Por onde quer que vás, retornas à criação. O tempo está nublado, chuvas prontas a cair.

Supera os fantasmas críticos prontos a deitar abaixo a tua existência física, pois apenas corresponde a uma ínfima parte de ti. Nada até à Lua, quebra o véu que te prende a ti próprio. Sente, experimenta, erra, ergue-te perante o desconhecido sem forma.

O sentido está onde o procuras.


Saber...?

Apaixono-me por memórias, momentos. Por olhares, toques, sussurros. Pensei que não sabia o que era paixão.

Anseio por me conhecer, com a alma num susto de cada vez que paro para me olhar. Mas olho para trás e descubro que soube (o que é estar apaixonada). Talvez não soubesse, mas lembro-me agora que passei por isso. Provavelmente é tarde.

Momentos de êxtase que passam sem darmos por eles e que agora queremos voltar para os saborearmos melhor.

Como é possível estar derretidamente apaixonada pelo Passado e ter uma relação física com um substituto?! E continuar a ter esperança de que esse Passado cresça e nos apanhe.

Não sei se está certo ou errado... contentar-me com o Presente enquanto tenho a expectativa do Passado, ou do Futuro?, mas sei que nesta fase faz parte errar com o objectivo tortuoso de crescer.

Quero crescer. Quero amar. Quero saber.

Marta Fatela

O Sentido

Existo. É um facto. Mas para quê? O que é preciso ou suposto fazer para cumprir o propósito da vida? Da minha vida? Deverei ser útil, bom, proficiente, agradável? Será o sentido da minha vida direccionado para os outros?
E a dos outros?
E por fim compreendi... São os outros o sentido da minha vida....

Pedro Cal
Olá! aqui estou para mostrar os meus textos que, diga-se de passagem, já foram escritos há muito tempo. não estão tão bons como o do tiago, mas enfim, foi o que se arranjou, os próximos saiem melhor! xP

Voar sem asas
Já alguma vez se perguntaram porque é que não têm asas, porque é que não podem voar, percorrer os céus e tocar nas estrelas? Eu já, e cheguei a uma conclusão, todos nós voamos, todos nós já voámos. Há quem tenha perdido essa capacidade, mas eu não, eu ainda voo, eu ainda consigo chegar às nuvens, aqueles pedaços de sonhos rasgados, sim, eu ainda tenho asas, eu ainda consigo voar no mar da imaginação. Só me resta saber uma coisa: Será que vocês ainda conseguem?

Perfeito (?)

A natureza é perfeita. As nuvens são perfeitas, as árvores são perfeitas, os pássaros são perfeitos. A natureza tem defeitos. As nuvens são distorcidas, as árvores são rugosas e os pássaros são todos diferentes. Será que nada é perfeito? Não, mas são os defeitos que fazem de tudo perfeito.

João Menino

domingo, 15 de novembro de 2009

Pensamentos

Tenho quinze anos. Recordo-os num segundo e tal intriga-me. Tudo o que me resta de quinze anos de vida são memórias, possíveis de reavivar, mas nunca de reviver. Quinze anos que passaram num ápice... Será que me acontecerá o mesmo quando tiver noventa anos, terá toda a minha vida passado num ápice? Porque existirá o Passado, ou melhor, porque existirá o Presente, se torna o Passado e o Futuro irrelevantes, inantígíveis? Pergunto-me por que lhe terão chamado Presente... Será uma dádiva? Mas então, por que não pára de correr? Por que razão essa pressa que me traz tanto desgosto? Porque é que apenas corre num sentido?
E se quiser voltar atrás... ?

Pedro Cal

Padrão de Ideias Encaracoladas

Bernardo, a tua espera chegou ao fim, aqui está a minha primeira tentativa de uma micro-narrativa. Não prometo nada, espero que seja do agrado dos leitores. Oxalá a gripe A não me tenha afectado a inspiração (transpiração, talvez) poética.
Agradeço comentários.
Tiago Correia.



Padrão de Ideias Encaracoladas
É um padrão, está interligado. Uma ideia, um pensamento. O estranho funde-se no comum, porque, de facto, nunca se sobressaiu. Nada mais que uma trança caótica, preto no branco, indiscreto. A raiz desconhecida, o fim obscuro.
Não é simples, nunca foi e certamente que nunca será. Envolto numa névoa de incertezas, o caminho está bem definido para quem o deve percorrer.
Muito mais que simples linhas, a organização está oprimida. Será? O nonsense omnipresente define os limites da originalidade, uma preocupação constante de inovar.
Um título, significados inúmeros. Um mar às cores flui sem pretensões de parar, imune às opiniões.
Pensando bem, nada é pessoal.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ainda te lembras?

Boa noite,
Gostava de começar por pedir desculpa pelas "gafes" que cometi nos meus comentários ("em brevemente", "escrever-la" etc...).
Como prometido aqui está a minha segunda micronarrativa, menos "poética" e com uma estrutura mais forte. É um texto simples, mas estou seguro que ninguém vai ficar com pensamentos indiferentes.

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Ainda te lembras?

Ainda te lembras?
Daqueles tempos em que passavas os dias à procura de uma fada que te ensinasse a sua magia, e as noites de refúgio nos lençóis quando uma bruxa vinha perseguir-te com sua aura negativa?
Quando fazia mais sentido as estrelas terem apenas cinco pontas, e os corações ainda não eram simples órgãos que nos mantinham vivos?
Como era fácil errar naquilo que nos parecia mais certo, e aquela altura em que conseguias ler sem olhar para um texto?
Dos tempos em que ainda éramos amigos e íamos brincar no parque com as roupas que os nossos pais nos mandavam vestir?
Da nossa incapacidade de morrer?
De quando ias falar horas a fio, com aquele gato que estava abandonado na rua?
Ou talvez mesmo, quando mentias sem culpa?
A sério que te lembras?! Que chiste seria não querermos admitir que nos olvidámos destas memórias!
Fizeram-te esquecer de como vivias, esquecimento esse com a satisfação da influência.
Se o começo foi coberto com fantasia, como será que conseguimos continuar de modo tão grosseiro?
“Crescer”…

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Estou ansioso e entusiasmado por ver uma micronarrativa escrita por outro colega, e estou também com esperanças que a "ansiedade" não dure muito tempo.

Bom fim-de-semana,
Bernardo Viana Maya Vicente